sábado, 23 de fevereiro de 2008

O Tabu

Sexo ainda é um tema controverso, seja na sociedade, na religião, ou mesmo entre os chamados "liberais". Herdamos uma tradição que o apresenta como algo sujo, pecaminoso, um mal necessário. Não é preciso ser membro de uma comunidade religiosa, onde é forte a repressão, para revelar em curta conversa resquícios da influência distorcida que se tem do sexo. Em linhas gerais, e apenas para começar (e apimentar o tema), basta dizer que independente da forma como se encara a sexualidade, não há como fugir dela, pois somos seres sexuados, temos desejos, e por mais que se queira, é impossível fugir dessa realidade. Em outras palavras, não há eficácia nas sessões de exorcismo que acontecem no ambiente religioso para expulsar o "capeta da prostituição, da impureza ou devassidão". Penso que esse tipo de atitude se dê mais por ignorância do que por intenção efetiva.
A história revela que todas as tentativas de reprimir, controlar, impedir a sexualidade não surtiram o efeito esperado. Aliás, dentro dos espaços onde o sexo é visto como "coisa do demônio", ele não somente é praticado, como também apresenta elevados índices do que se chama de "perversão e imoralidade". Sim, isso acontece porque não há força, credo, reza, ação que possa mudar aquilo que é inerente à natureza humana. O sexo não está na esfera da espirtualização como pensam muitos religiosos; ele está na esfera da fisiologia humana, assim como as demais necessidades primárias da espécie, como comer, beber, defecar, etc.
Apesar de tudo isso, o sexo continua sendo um dos mais fortes tabus principalmente para a religião, especialmente o Cristianismo (falo do mundo ocidental). Como nossa moral e ética foram forjadas em cima dos valores cristãos, não é difícil imaginar que a maneira de enxergar a sexualidade, mesmo fora das igrejas, tenha forte influência dessa religião.
É preciso, nesses ambientes, uma revisão nos valores, principalmente em que se considere mais o humano que o espiritual. O homem e a mulher possuem corpos com natureza que precisa de tempo e espaço para vivências e experiências, e não é um tabu, doutrina, ou dogma que poderão impedi-los. Como cristão, penso que Deus nos criou para nos relacionarmos; a forma, entretanto, não foi definida pelo divino. Acredito que a inteligência que Ele nos deu seja suficiente para fazermos nossas próprias escolhas. Dessa forma, entendo que é natural, sim, relacionamentos diferentes do estabelecido pela religião, a exemplo de casamentos sem os trâmites impostos pelo Vaticano, ou entre pessoas do mesmo sexo.
As proibições e demonizações na sexualidade e nos relacionamentos é uma questão intrinsecamente humana e institucionalmente religiosa, e nada de efetivamente divina. Sinceramente, não creio que Deus esteja preocupado se alguém vai se casar ou se não vai; se escolhe uma pessoa do mesmo sexo ou de sexo diferente; se quer ou não a "bênção" sacerdotal. Tudo isso é história e tradição, e portanto, essencialmente humana. Criações nossas que atravessaram séculos e chegaram aos nossos dias, graças a Deus, com menos força do que tiveram no passado, quando pessoas eram presas e até executadas em praça pública (em nome de Deus, credo!), pelo simples fato de amarem fora do estabelecido pela Igreja. Mas, ainda assim, essas convenções estão presentes em nosso dia a dia, e muita gente não consegue ser feliz plenamente com sua sexualidade por conta desses tabus.

2 comentários:

Oziel Alves disse...

Excelente artigo.

frederico disse...

Oww abordou o tema com objetividade e clareza..muit show!